quinta-feira, 8 de agosto de 2013

PMs mortos ensinaram filho a dirigir e a atirar, diz testemunha

PMs mortos ensinaram filho a dirigir e a atirar, diz testemunha





SÃO PAULO — Os pais de Marcelo Pesseghini, o menino de 13 anos acusado de matar a família em São Paulo, teriam ensinado o adolescente a atirar e a dirigir, segundo o depoimento de um policial militar à Polícia Civil. De acordo com o delegado Itagiba Franco, que investiga o caso, um PM que trabalha no mesmo batalhão em que a cabo Andréia Pesseghini trabalhava contou que ela ensinou o menino a dirigir e que o marido dela, o sargento da Rota Luís Marcelo Pesseghini, ensinou o filho a usar armas.

Esse PM, identificado apenas como soldado Neto, foi a primeira pessoa a chegar à casa onde as vítimas foram encontradas. Ele achou estranho o fato de Andréia não ter comparecido ao 18º Batalhão para trabalhar e foi à casa dela por volta das 12h de segunda-feira. Como não encontrou ninguém, voltou à tarde com outro soldado. Os dois teriam pulado o muro e encontrado os corpos.

O delegado convocou vizinhos da família para prestar depoimento. Franco quer saber de declarações que os vizinhos deram à imprensa de que que teriam ouvido barulhos de tiros. Um vizinho também teria dito a jornalistas que a mãe de Marcelo costumava pedir ao filho para tirar o carro da garagem e guardá-lo.

Em declaração à imprensa nesta tarde, o delegado Itagiba contou que um amigo de Marcelo Pesseghini relatou que o garoto costumava dizer aos colegas que aquele seria o seu último dia na escola. Como Marcelo disse isso em vários dias e continuava frequentando as aulas, isso causava estranhamento aos amigos.

Segundo o delegado, com 1,60m de altura, Marcelo tinha estatura e condições físicas de dirigir e segurar numa arma.

Itagiba Franco classificou de suposições informações divulgadas pela imprensa sobre a presença de sangue no corpo de Marcelo e hematomas no corpo dele.

— Não chegou nada oficialmente para nós ainda. Pedi que uma equipe fosse até o Instituto de Criminalística para colher possíveis informações preliminares, mas nada chegou até nós até esse momento — disse Franco.

Delegado fica irritado com críticas à condução do caso

O delegado também disse estar convicto em relação aos rumos da investigação que apontam o adolescente como autor dos tiros e acrescentou que os questionamentos sobre o trabalho da polícia são comuns porque "nossa cultura não está acostumada a esse tipo de investigação de crime".
— Se for realmente atribuído (o crime) ao Marcelo, a nossa cultura não está acostumada com isso. Os Estados Unidos, sim. Lá, garotos que têm um comportamento aparentemente normal, de repente têm um treco na cabeça e saem atirando em todo mundo — disse.

O delegado criticou o fato de adolescentes como Marcelo terem acesso fácil a jogos violentos de videogame — o adolescente foi descrito como um menino caseiro, que gostava de jogar videogame — e salientou que a intenção da polícia não é denegrir a família do jovem.

— Não quero denegrir (a família). Quero estabelecer a verdade — disse Franco, acrescentando:
— Estou conduzindo essa investigação serenamente, convicto de que estou trabalhando certo. Se amanhã alguém aparecer com uma pista de que não é o garoto, que venha até nós.
O delegado criticou suposições em relação ao caso por parte de especialistas ouvidos pela imprensa.
— Estou me lixando para o que (os especialistas) estão pensando. Tenho a consciência tranquila de policial experiente — cutucou.

O delegado espera laudos do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística nos corpos e em objetos encontrados na casa e no carro para concluir o inquérito.
Ele comentou as declarações da família de Marcelo, que não acredita que o menino seja o autor dos crimes. Itagiba disse que a investigação é séria e serena, e alertou para o fato de que ele próprio é um delegado experiente casos de homicídios. Para ele, tudo leva a crer que o menino matou a própria família.

Surpresa com a fala de coronel

O delegado-geral de Polícia Civil de São Paulo, Maurício Blazeck, disse nesta quinta-feira não acreditar nas primeiras declarações dadas pelo coronel Wagner Dimas, comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar, onde trabalhava a cabo Andréia Pesseghini, morta em chacina na madrugada da segunda-feira na capital paulista.

Para a Rádio Bandeirantes, na quarta-feira, o coronel disse que a cabo havia colaborado com informações para uma suposta investigação contra colegas policiais envolvidos em roubos de caixas eletrônicos. Nesta quinta-feira, o oficial voltou atrás e disse que as denúncias da cabo não foram feitas.

— Da mesma forma que a imprensa, a gente também se surpreendeu (com as primeiras declarações do coronel), porque isso não se encontrava na dinâmica do crime – ressaltou Maurício Blazeck.
O delegado-geral acrescentou:

— Não parece, até o momento, que isso tenha ocorrido (ligação entre a declaração do coronel e a morte da família) — afirmou.

Na segunda-feira, foram encontrados mortos um casal de PMs, o filho de 13 anos, a avó e uma tia-avó. Segundo a polícia, o garoto de 13 anos, matou a família e depois se suicidou. Dimas é responsável pelo batalhão onde trabalhava a mãe do menino.

O coronel assinou um Termo de Declarações junto à Corregedoria da PM, onde afirmou não existir qualquer denúncia formalizada sobre policiais militares envolvidos com crimes de roubos a caixas eletrônicos em seu batalhão, segundo o SPTV, da Rede Globo, desta quinta-feira. O comandante destacou também que a policial não fez qualquer denúncia a respeito e que se perdeu em suas argumentações para o repórter.

Ainda segundo o SPTV, o coronel Dimas prestou depoimento nesta manhã, no Departamento de Homicídios de Proteção à Pessoa (DHPP). Dimas iria conceder uma entrevista ao telejornal nesta quinta-feira, mas, muito nervoso, cancelou sua participação para explicar o episódio. Ele precisou tomar calmante.

Ontem, o Comando da Polícia Militar, em nota divulgada à noite pela sala de imprensa da corporação, “reafirma que não houve qualquer denúncia registrada na Corregedoria da PM, ou no Batalhão, por meio da Cabo Andréia Pesseghini contra policiais militares”.
Disse também que “foram consultados arquivos da Corregedoria, do Centro de Inteligência e do próprio Batalhão, e nada foi identificado” e que “será instaurado um procedimento para apurar as declarações do Coronel Wagner Dimas Alves Pereira, Comandante do 18º Batalhão, não alterando em nada o rumo das investigações”.

Em gravação, traficante afirma ter matado Amarildo para incriminar policial

Em gravação, traficante afirma ter matado Amarildo para incriminar policial

 Desaparecimento de Amarildo na Rocinha é investigado pela Divisão da Homicídios




Uma interceptação telefônica, atualmente em poder da Justiça, pode ajudar a Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio a ter pistas sobre o paradeiro do pedreiro Amarildo de Souza, de 42 anos, vítima do desaparecimento mais comentado atualmente no Brasil. A conversa foi gravada pelo setor de inteligência da 15ª DP (Gávea), e envolve o traficante identificado apenas pelo apelido de Catatau e um policial militar da UPP da Rocinha. O PM, chamado de Avelar, trabalhava infiltrado na quadrilha com autorização judicial. No diálogo, o traficante diz ter “matado o Boi” para fazer com que a culpa recaísse sobre este policial especificamente. Boi, segundo a polícia, é o apelido que Amarildo tinha entre os traficantes da Rocinha.

A reportagem do site de VEJA não teve acesso à gravação, feita em 17 de julho, quatro dias depois do início da operação Paz Armada, que resultou na detenção de mais de 30 suspeitos de tráfico. O delegado Ruchester Marreiros, responsável direto pelo trabalho de investigação e que na semana passada foi transferido de delegacia, recusou-se a falar especificamente sobre o que ele classifica como “ação controlada” (que no linguajar jurídico significa que o agente da lei estava infiltrado com aval do Ministério Público e de um juiz para receber dinheiro e parecer aliado do tráfico). Marreiros, no entanto, admite a existência da gravação e o teor do material. "Realmente existe o grampo em que esse Catatau liga para o ‘ação controlada’ e fala algo do tipo: 'Aí, filho da p... Pegamos teu X-9(informante). Matamos o Boi e vamos colocar na sua conta'. Boi, segundo as nossas investigações, era o apelido do Amarildo", afirmou o delegado.


As suspeitas sobre a ligação de Amarildo com o crime não são novas – tampouco partem apenas de policiais. O fato é que o caso, independentemente da ficha criminal da vítima, mostra como é corriqueiro o desaparecimento de pessoas no Rio de Janeiro, seja por obra de traficantes ou, o que é pior, por agentes da lei. O caso Amarildo seria apenas mais um registro sem importância para a polícia, mas ganhou notoriedade por uma coincidência: seu desaparecimento, há 25 dias, coincidiu com o momento de ebulição nas ruas e pegou carona nas reivindicações que, no Rio, têm o governador Sérgio Cabral e a PM como alvos principais.

Em entrevista à rádio CBN, na manhã desta quinta-feira, Marreiros afirmou que tanto Amarildo como a mulher, Elizabete Gomes da Silva, a Bete, eram envolvidos com a quadrilha que domina as bocas de fumo da Rocinha. O delegado ainda apresentou um vídeo no qual uma testemunha afirma ter sido espancada na porta da residência do casal. A vítima disse ainda que o imóvel era usado por traficantes para sessões de tortura. “Nada justifica o fato de o Amarildo ter desaparecido. Mas também não se pode ignorar que a vítima em questão fazia parte do crime organizando, inclusive guardando material do tráfico em casa”, disse Marreiros.

Infiltrados – Para entender a trama sobre a qual a gravação levanta suspeitas – digna, diga-se, dos melhores filmes policiais –, é preciso voltar quatro meses no tempo, quando uma das equipes de policiais foi trabalhar infiltrada no tráfico. O grupo era comandado por um jovem soldado, o PM Avelar. Com o pretexto de que aceitaria receber propinas para deixar as bocas de fumo funcionarem durante seus plantões, o policial conseguiu se aproximar e ganhar a confiança de um dos homens que controlam a região atualmente, Luiz Carlos da Silva, o Djalma. O site de VEJA apurou que a equipe de Avelar passou a frequentar até mesmo bares e festas onde os traficantes se divertiam na favela. E todo o dinheiro que recebia do tráfico (o chamado ‘arrego’) era apreendido oficialmente no inquérito, que corria em segredo de Justiça na delegacia da área.

A falsa intimidade era tão grande que os PMs deixavam que os traficantes manuseassem seus fuzis. Nem todos, no entanto, gozavam da mesma confiança dos bandidos. “Todos eram aceitos. Menos um soldado da equipe, que uma vez se recusou a emprestar o fuzil. Criou até um clima ruim, mas depois ficou tudo resolvido”, explica um oficial da PM que teve acesso às filmagens produzidas pela equipe infiltrada. De acordo com as informações obtidas pela própria UPP, o bandido conhecido como Catatau estava desconfiado da íntima relação entre o chefe Djalma e a equipe do soldado Avelar. “Teve um dia que a equipe do Avelar ficou cercada na Rua 2 (localidade da favela) e tivemos de resgatá-los de lá. Era o grupo do Catatau tentando matá-los”, afirma um cabo da UPP da Rocinha.

Desaparecimento – A gravação telefônica e a existência do traficante Catatau são apenas peças novas e isoladas em uma investigação que, desde o início do sumiço de Amarildo, caminhou pouco. Mas o que se sabe, até agora, compromete a Polícia Militar. Entre as raras certezas do caso, duas depõem contra a corporação: o sistema de câmeras, criado para vigiar as ruas da favela contra os bandidos e dar transparência à ação da polícia, estava desligado na noite de 14 de julho, quando a vítima sumiu; e também não funcionava o GPS da viatura que transportou Amarildo – outro item que serve para evitar que, em casos como o de agora, os policiais sejam acusados injustamente. As buscas, até agora, não encontraram qualquer vestígio de Amarildo.

FONTE - VEJA

DEPUTADO RECEBE AMEAÇAS DE MORTE POR DENUNCIAR FRAUDE NO SISTEMA ELEITORAL


Voto eletrônico: Hacker de 19 anos revela no Rio como fraudou eleição


Voto eletrônico: Hacker de 19 anos revela no Rio como fraudou eleição

publicado em 11 de dezembro de 2012 às 19:57  por (Viomundo)

 por Apio Gomes, no portal do PDT, via Amilcar Brunazzo Filho
Um novo caminho para fraudar as eleições informatizadas brasileiras foi apresentado ontem (10/12) para as mais de 100 pessoas que lotaram durante três horas e meia o auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), na Rua do Russel n° 1, no decorrer do seminário “A urna eletrônica é confiável?”, promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.
Acompanhado por um especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça, e de um delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como — através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi – interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado.
“A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados  mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada”, explicou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para fraudar resultados.
O depoimento do hacker – disposto a colaborar com as autoridades –  foi chocante até para os palestrantes convidados para o seminário, como a Dra. Maria Aparecida Cortiz, advogada que há dez anos representa o PDT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assuntos relacionados à urna eletrônica; o professor da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Antônio Dourado de Rezende, que estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil, também há mais de dez anos; e o jornalista Osvaldo Maneschy, coordenador e organizador do livro Burla Eletrônica, escrito em 2002 ao término do primeiro seminário independente sobre o sistema eletrônico de votação em uso no país desde 1996.
Rangel, que está vivendo sob proteção policial e já prestou depoimento na Polícia Federal, declarou aos presentes que não atuava sozinho: fazia parte de pequeno grupo que – através de acessos privilegiados à rede de dados da Oi – alterava votações antes que elas fossem oficialmente computadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
A fraude, acrescentou, era feita em benefício de políticos com base eleitoral na Região dos Lagos – sendo um dos beneficiários diretos dela, ele o citou explicitamente, o atual presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB). A deputada Clarissa Garotinho, que  também fazia parte da mesa, depois de dirigir algumas perguntas a Rangel  - afirmou que se informará mais sobre o assunto e não pretende deixar a denúncia de Rangel cair no vazio.
Fernando Peregrino, coordenador do seminário, por sua vez, cobrou providências:
“Um crime grave foi cometido nas eleições municipais deste ano, Rangel o está denunciando com todas as letras –  mas infelizmente até agora a Polícia Federal não tem dado a este caso a importância que ele merece porque  ele atinge a essência da própria democracia no Brasil, o voto dos brasileiros” – argumentou Peregrino.
Por ordem de apresentação, falaram no seminário o presidente da FLB-AP, que fez um histórico do voto no Brasil desde a República Velha até os dias de hoje, passando pela tentativa de fraudar a eleição de Brizola no Rio de Janeiro em 1982 e a informatização total do processo, a partir do recadastramento eleitoral de 1986.
A Dra. Maria Aparecida Cortiz, por sua vez, relatou as dificuldades para fiscalizar o processo eleitoral por conta das barreiras criadas pela própria Justiça Eleitoral; citando, em seguida, casos concretos de fraudes ocorridas em diversas partes do país – todos abafados pela Justiça Eleitoral. Detalhou fatos ocorridos em Londrina (PR), em Guadalupe (PI), na Bahia e no Maranhão, entre outros.
Já o professor Pedro Rezende, especialista em Ciência da Computação, professor de criptografia da Universidade de Brasília (UnB), mostrou o trabalho permanente do TSE em “blindar” as urnas em uso no país, que na opinião deles são 100% seguras. Para Rezende, porém, elas são “ultrapassadas e inseguras”. Ele as comparou com sistemas de outros países, mais confiáveis,  especialmente as urnas eletrônicas de terceira geração usadas em algumas províncias argentinas, que além de imprimirem o voto, ainda registram digitalmente o mesmo voto em um chip embutido na cédula, criando uma dupla segurança.
Encerrando a parte acadêmica do seminário, falou o professor Luiz Felipe, da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que em 1992, no segundo Governo Brizola, implantou a Internet no Rio de Janeiro junto com o próprio Fernando Peregrino, que, na época, presidia a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Luis Felipe reforçou a idéia de que é necessário aperfeiçoar o sistema eleitoral brasileiro – hoje inseguro, na sua opinião.
O relato de Rangel – precedido pela exposição do especialista em redes de dados, Reinaldo, que mostrou como ocorre a fraude dentro da intranet, que a Justiça Eleitoral garante ser segura e inexpugnável – foi o ponto alto do seminário.
Peregrino informou que o seminário  será transformado em livro e tema de um documentário que com certeza dará origem a outros encontros sobre o mesmo assunto – ano que vem. Disse ainda estar disposto a levar a denuncia de Rangel as últimas conseqüências e já se considerava um militante pela transparência das eleições brasileiras: “Estamos aqui comprometidos com a trasnparência do sistema eletrônico de votação e com a democracia no Brasil”, concluiu. (OM)

Justiça manda Exército reconhecer companheiro de sargento gay

Justiça manda Exército reconhecer companheiro de sargento gay

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Sargento do Exército vive há mais de três anos em relação estável com estudante (Foto: Arquivo Pessoal)
A Justiça Federal de Pernambuco determinou que o Exército reconheça como dependente o companheiro de um sargento de 40 anos, com quem o militar possui união estável há mais de três anos. O sargento atua no Centro de Telemática, em Recife (PE). É o primeiro caso de união homoafetiva na Força reconhecido judicialmente. O Exército afirma que ainda não foi notificado da decisão.
O sargento J.E.S. era casado com uma mulher até 2000, quando se separou para namorar o estudante A.E.V.S., de 21 anos. Mesmo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2011, que equiparou casais homossexuais aos heterossexuais, ele teve o pedido negado, e o processo está parado no Exército desde 2012. O sargento precisou recorrer à Justiça para que o companheiro fosse incluído no cadastramento previdenciário e no sistema de saúde militar.
A decisão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (PE) foi tomada, por unanimidade, no último dia 18 de julho. Em fevereiro, o juiz Roberto Wanderley Nogueira, da 1ª Vara Federal, negou, em primeira instância, o reconhecimento. Ele alegou que inexistia na legislação militar “disposição legal que estenda direitos ao companheiro homoafetivo”.
Segundo a advogada do militar, Laurecília de Sá Ferraz, a União tem 30 dias para recorrer da decisão. “Passado este período, a decisão é considerada transitada em julgado e publicada no Diário Oficial da União, sendo o Exército e as partes notificadas para cumpri-la”, disse ela.
Ao G1, o procurador regional da União Rodrigo Veloso, da 5ª Região, afirmou que Advocacia Geral da União (AGU) não vai recorrer da decisão. “Não iremos recorrer, pois a possibilidade de reconhecimento da união homoafetiva como entidade familiar para fins de pensão já está pacificada no âmbito tanto do STF, quanto do Superior Tribunal de Justiça, havendo até parecer da AGU e despacho do consultor geral jurídico sobre o tema”, afirmou ele, que é advogado da União.
Na quarta-feira (6), contudo, a PRU-5 entrou com embargos de declaração, pedindo que a Justiça se manifeste sobre como isso deve ser feito dentro do regime de servidores e reclamando da multa advocatícia.
Segundo o Exército, há um outro pedido de cadastro homoafetivo sob análise, de um militar de outro estado. Em junho, a Força Aérea Brasileira reconheceu o casamento homossexual de um sargento de 29 anos que trabalha como controlador de voo em Recife e aceitou o pedido dele para cadastrar como dependente o marido, um vendedor de 35 anos. O reconhecimento garante benefícios, como moradia à família.
‘Ele foi corajoso’
O estudante A.E.V.S. elogiou a luta do parceiro pelo reconhecimento da união. “Ele foi corajoso em lutar por nossos direitos. Ainda há muito tabu no meio militar de que macheza representa honra. Em todos os quartéis por onde ele passou, sempre é muito querido, respeitado e não expõe nossa relação”.
Os dois são de famílias religiosas e dizem ter enfrentado problemas devido à rejeição e ao preconceito, tanto de outros militares quanto de parentes. A pedido deles, os nomes não são divulgados. O sargento não tem autorização para dar entrevistas.
A batalha judicial
O primeiro pedido de reconhecimento do companheiro, que cursa sistemas de informação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi feito pelo sargento ao Comando Militar do Nordeste em 8 de março de 2012.
O pedido foi negado e colocado como “sobrestado” pelo comandante da unidade, general Odilson Sampaio Benzi, até que, segundo o documento, houvesse trânsito em julgado da decisão do Supremo e uma manifestação do Ministério da Defesa e do Comando do Exército sobre como proceder nestes casos.
O casal possui uma escritura pública de união homoafetiva, assinada em cartório em 13 de janeiro de 2012, e procurou a Justiça estadual de Pernambuco para confirmar o casamento.
Em 21 de junho do mesmo ano, a juíza Andrea Epaminondas Tenorio Brito declarou como existente a união, alegando que o relacionamento entre os dois é reflexo de uma “manifestação pública e notória, lastreado numa existência respeitável e duradoura”.
A magistrada afirmou que o “reconhecimento e qualificação da união homoafetiva como entidade familiar” é “posição consagrada na jurisprudência” e alegou que os “direito da busca da felicidade” e o “direito da busca de qualquer pessoa de constituir família” como base na decisão.
Contudo, o juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, a quem o casal pediu o cadastramento do estudante como dependente, não atendeu o pedido. Na sua decisão, em 5 de fevereiro de 2013, ele afirma que a Constituição e a Código Civil entendem como família o casamento entre um homem e uma mulher mas que, apesar de já haver legislação recente sobre isso, a lei que trata da assistência médica de servidores militares e as normas administrativas das Forças Armadas consideram como dependentes apenas a “esposa” e o “companheiro (a) – pessoa do sexo oposto ao do militar”.
Ao G1, o juiz afirmou que estava em viagem e não que não se lembrava da decisão, mas que, em tese, “a Lei Orgânica da Magistratura Nacional proíbe qualquer comentário adicional além do conteúdo da própria sentença”. Segundo Nogueira, o magistrado “vai sempre precisar de referências as quais estão pautadas exclusivamente pelas normas jurídicas vigentes”.
Vitória na apelação
A defesa do sargento recorreu e conseguiu reverter a decisão por unanimidade em decisão da 3ª turma do TRF da 5ª região. O texto argumenta que a “união homoafetiva merece tratamento isonômico” e que “a inexistência de regra que contemple a possibilidade da percepção de benefício previdenciário por companheiro em relação homoafetiva de servidor público não pode ser considerada como obstáculo para o reconhecimento da existência de um fato para o qual a proteção jurídica é reclamada”.
“Não iremos recorrer, pois a possibilidade de reconhecimento da união homoafetiva como entidade familiar para fins de pensão já está pacificada no âmbito tanto do STF, quanto do Superior Tribunal de Justiça, havendo até parecer da AGU e despacho do consultor geral jurídico sobre o tema”, afirmou o advogado da União Rodrigo Veloso, que é o procurador regional da União na 5ª região (PE).
“Com certeza, esta é uma vitória muito importante nas nossas vidas. Vamos poder utilizar os mesmos serviços prestados aos casais heterossexuais”, disse o estudante, companheiro do sargento.
“Para uma instituição firme e democrática como o Exército, o reconhecimento da garantia de direitos é um grande diferencial. Esta decisão irá ajudar a muitos outros casais que querem assumir e também precisam destes direitos”, afirma ele.
Em 2012, um major médico do Exército, que atua em São Paulo, casou-se com seu companheiro, mas até o momento não havia pedido o reconhecimento do matrimônio e o reconhecimento de seu companheiro como dependente. (g1).




Mais uma tragedia - Filho de PM, menino de dez anos se mata após levar bronca do pai

Filho de PM, menino de dez anos se mata após levar bronca do pai
Filho de PM comete suicídio dentro de casa com arma do pai Nivaldo Lima/Futura Press/Estadão Conteúdo
Um menino de dez anos, filho de um policial militar, se matou após brigar com as irmãs e levar uma bronca do pai. A criança usou a arma do policial que estava dentro de uma jaqueta. O caso aconteceu por volta das 21h da última segunda-feira (5) no bairro Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo.
Segundo informações da polícia, o garoto brigou com as duas irmãs durante a noite. O pai interferiu no conflito e deu uma bronca nas crianças. Depois disso, o garoto entrou no quarto do pai, pegou a arma, que estava dentro de uma jaqueta, seguiu para seu quarto e se matou. O pai encontrou a criança morta com um tiro na cabeça.
Os bombeiros foram chamados e confirmaram a morte. O local foi periciado e o corpo encaminhado para o IML Central de São Paulo. O caso foi registrado no 13° Distrito Policial, da Casa Verde. Na casa, moravam o garoto, as duas irmãs, o pai e a madrasta. Todos estavam na residência. O pai trabalha no complexo administrativo da Polícia Militar.
O caso aconteceu um dia depois de outro crime envolvendo filho de policial militar. Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos, é suspeito de ter matado a família e cometido suicídio.  Ele era o filho único do casal de policiais militares Luís Eduardo e Andréia Pesseghini, costumava ser descrito como tímido, calmo, caseiro e apegado aos familiares. No entanto, nesta terça-feira (6), o jovem passou a ser o principal suspeito da morte dos pais, da avó e da tia-avó, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Na versão da polícia, ele se suicidou cerca de 12 horas depois.
Quando chegava da escola, Marcelo passava horas no computador. No perfil que tinha no Facebook, a foto dele era de um personagem de um jogo de videogame que gostava, que é um dos protagonistas de uma seita de assassinos em busca de vingança, na época da Renascença. O jogo é recomendado para maiores de 18 anos.
O delegado Itagiba Vieira Franco, da Divisão de Homicídios, esteve no local do crime. Ele disse que achou diversas armas de brinquedo e de pressão no quarto do garoto.
— No quarto dele, nós encontramos uma grande quantidade de armas de brinquedo. Ele teve a capacidade, talvez espelhando-se no pai, de montar um colete artesanal, de papelão, tipo escudo do choque. E também um tipo de coldre, de ombro, que ele montou inteiro, com fitas e com papelão, com lugar para pôr a arma.
O comandante da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, afirmou que o rapaz costumava atirar com a arma de pressão. (R7).














Força Nacional pode ser extinta

Força Nacional pode ser extinta

MPF recorre para manter ação contra a Força Nacional de Segurança Pública
Se for aceito, recurso pode fazer com que a Força Nacional seja extinta
A Procuradoria Regional da República da 1ª Região (PRR-1), do Ministério Público Federal (MPF), ajuizou embargos de declaração no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) pedindo a análise de inconstitucionalidade da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), o que pode fazer com que ela seja extinta.
O pedido foi feito após o Tribunal negar recurso anterior, contra a sentença de primeira instância que julgou improcedente a ação civil pública proposta contra a Força Nacional de Segurança Pública. O Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA) propôs a ação para extinguir a Força, com o argumento de que o presidente do País não pode instituir um órgão policial sem a participação do Congresso Nacional, o que se daria por meio de proposta de emenda à Constituição.
A juíza Hind Ghassan Kayath, da 2ª Vara Federal de Belém, julgou o pedido do MPF improcedente. Segundo ela, a Força Nacional gera uma sensação de segurança na população.
O MPF-PA recorreu da sentença ao TRF-1 pedindo, além da suspensão da portaria que criou a Força Nacional, que a Justiça proíba a edição de portarias semelhantes. O Tribunal negou o recurso, e alegou que a Força Nacional não viola o artigo 144 da Constituição, pois não cria outra força de segurança pública, apenas disciplina regras de organização e funcionamento para o desenvolvimento do Programa de Cooperação Federativa, denominado Força Nacional de Segurança Pública.
A Procuradoria Regional da República da 1ª Região entrou com embargos de declaração pedindo que o TRF-1 analise novamente o recurso. Segundo o procurador regional autor do pedido, o Tribunal deixou de analisar a inconstitucionalidade da criação da FNSP.
(Terra).

Com laudo dos EUA, defesa tenta reviravolta no caso Isabella

Crime

Com laudo dos EUA, defesa tenta reviravolta no caso Isabella

Segundo documento, que os advogados pedirão para ser incluído no processo, as marcas no pescoço da menina não teriam sido feitas por mãos humanas

Comboio da polícia conduz, em veículos separados, Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.
Comboio da polícia conduz, em veículos separados, Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.
Com o resultado de um laudo feito nos Estados Unidos pelo diretor do Instituto de Engenharia Biomédica da George Washington University, James K. Hahn, a defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tenta uma reviravolta no caso da morte da menina Isabella Nardoni, aos 5 anos, em 2008. As análises foram encomendadas pelo criminalista Roberto Podval e conclui que as marcas no pescoço da criança não foram causadas pelas mãos de Anna Carolina, conforme a acusação feita pelo Ministério Público Estadual (MPE). Também concluíram que tampouco foram resultado de esganadura feita pelo pai de Isabella. As marcas encontradas pela perícia não seriam "compatíveis com a morfologia das mãos de Anna e de Alexandre". 
As marcas – chamadas de esquimoses puntiformes na nuca direita – não foram, segundo a perícia pedida pela defesa, feitas por mãos humanas. "Isso foi surpreendente", afirmou Podval. Para fazer as análises, o criminalista fez moldes das mãos dos dois acusados. O estudo da equipe do professor Hahn foi desenvolvido com base nas articulações das mãos e dos dedos.
À época do julgamento, a defesa não conseguiu desacreditar o resultado dos laudos técnicos apresentados pelos especialistas. A perícia não deixou dúvidas sobre o envolvimento de Alexandre e Anna Jatobá, que acabaram condenados.
Para mostrar como chegaram a esse novo resultado, os peritos prepararam um relatório que será trazido por Podval para ser incluído no processo do caso. Mesmo sabendo que a Justiça dificilmente aceita a análise de provas novas em habeas corpus, é por meio disso que o criminalista pretende tirar o casal da cadeia. Normalmente, só depois do trânsito em julgado de um caso – sua decisão final e sem possibilidade de recurso – é que se pode pedir a revisão criminal. Para tanto, o casal Nardoni teria de esperar preso. Podval considera que a espera na cadeia depois do surgimento de uma dúvida "mais do que razoável" de que o casal tenha cometido o crime é algo que a Justiça deve evitar – por isso, acredita ser possível a libertação.
Prisão – O casal Nardoni cumpre pena desde que, em março de 2010, foi condenado pelo 2º Tribunal do Júri de São Paulo pela morte de Isabella. O pai da menina recebeu pena de 31 anos de prisão, enquanto a madrasta, de 26 anos e oito meses. Ambos recorreram da decisão, mas a Justiça ainda não terminou de analisar seus recursos.
Anna e Alexandre foram condenados por homicídio qualificado – meio cruel, sem dar chance de defesa para a vítima e para assegurar a impunidade de outro crime. De acordo com a acusação, a menina teria sido espancada pela madrasta, que teria tentado sufocá-la. Pensando que ela estava morta, o pai cortou com uma tesoura uma rede de proteção da janela de um quarto do apartamento do casal, na Zona Norte de São Paulo. Em seguida, Alexandre apanhou a menina e a atirou pela janela. A criança caiu no jardim do prédio.
Para Podval, as marcas no pescoço de Isabella podem ter sido provocadas nessa queda, quando a menina passou por uma pequena palmeira no jardim. "O laudo diz que as marcas não foram causadas por mãos humanas, mas não diz o que as pode ter causado. Ele é inconclusivo nesse ponto. Mas acredito que elas podem ter sido causadas na queda", afirmou o criminalista.
O defensor do casal deve embarcar ainda nesta quinta-feira à noite para os Estados Unidos a fim de apanhar o resultado dos exames. Ele deve se reunir ainda nesta semana com a equipe do professor Hahn, em Washington. O retorno ao Brasil estava marcado para a próxima semana para preparar o novo recurso que será apresentado à Justiça. 
(Com Estadão Conteúdo)

Morte de PMs: adolescente não tinha o perfil de quem mata a família, diz psiquiatra

Morte de PMs: adolescente não tinha o perfil de quem mata a família, diz psiquiatra

Para especialista, caso também não tem característica de crime cometido durante surto mental ou motivado por psicopatia. “É preciso muita cautela ao atribuir mortes ao menino'', afirma Daniel Martins de Barros

Família de policiais militares é encontrada morta dentro de casa, no bairro da Brasilândia, Zona norte de São Paulo
Família de policiais militares é encontrada morta dentro de casa, no bairro da Brasilândia, Zona norte de São Paulo - Reprodução/Facebook
Desde que deu início às investigações sobre o assassinato do casal de policiais militares Luis Marcelo Pesseghini e Andreia Bovo Pesseghini, a polícia aponta como principal suspeito pelo crime o filho deles, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos. Segundo a tese dos investigadores, o menino teria  apanhado a pistola .40 da mãe e disparado contra os familiares - além dos pais, a avó e uma tia-avó -, um a um. Em seguida, pegou o carro da mãe e foi para a escola. Ao voltar para casa, teria se matado com a mesma pistola. Para o psiquiatra Daniel Martins de Barros, coordenador do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, as investigações não indicam até agora, porém, que o jovem tenha o perfil psiquiátrico padrão de alguém capaz de cometer crimes como o familicídio ou parricídio. “É preciso muita cautela ao atribuir o crime ao menino. Tudo o que aconteceu é muito atípico”, salienta.     
De acordo com Barros, crimes como o assassinato dos pais (parricídio) normalmente são motivados por históricos de violência familiar, abuso físico ou sexual e razões financeiras. “Essa pessoa, em geral, não se mata depois. Ela já colocou um fim no que a atormentava”, diz. As evidências não demonstram ainda que Marcelo tenha sido vítima de algum tipo de violência em casa. E mais: um jovem com fibrose cística que fosse de fato mal tratado pela família não teria conseguido sobreviver até os 13 anos.
O familicídio, por outro lado, é um tipo de assassinato em massa que costuma ter como autoria um adulto. No perfil padrão da psiquiatria, normalmente essa pessoa é um homem casado que pode ser um pai de família. O crime costuma ser cometido em momentos de desespero — como uma falência — ou quando a pessoa tem dificuldade em aceitar uma separação conjugal ou familiar. Em depoimento à polícia, o melhor amigo de Marcelo afirmou que o jovem falava em matar os pais e, em seguida, fugir com o carro. “É muito raro que esse crime seja cometido pelo filho”, diz Barros.
Transtorno mental — É difícil estabelecer ainda se o crime, caso tenha sido mesmo cometido por Marcelo, foi motivado por uma crise, um surto mental momentâneo. Isso porque a maneira racional e organizada em que os assassinatos e o suicídio foram cometidos não segue o padrão de desorganização mental característica de um momento de surto. "Estava tudo muito articulado, muito calculado. Não aparenta algo que resultou de uma crise pontual", afirma Barros.
Já a psicopatia, descrita pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais(DSM) como uma condição que tem como característica principal um "padrão global de desrespeito e violação dos direitos alheios", não aparenta, a priori, ser o caso de Marcelo. Entre as características centrais da personalidade de um psicopata estão a falta de empatia, tendência à insensibilidade, desprezo pelos sentimentos das outras pessoas, irresponsabilidade, irritabilidade e agressividade. Vizinhos, professora e familiares descreviam Marcelo como um rapaz dócil, tranquilo e carinhoso.
Armas — De acordo com um dado epidemiológico dos Estados Unidos, ter uma arma em casa aumenta em 30 vezes os riscos de um adolescente se matar. Até o momento, a apuração policial descobriu que na casa de Marcelo havia, pelo menos, cinco armas de fácil acesso. Segundo especialistas, é fundamental garantir que os filhos não tenham acesso a armas de fogo em casa. “O discurso de morte, o tirar a vida de alguém, o universo policial. Tudo isso devia ser visto como algo comum na família”, diz o psicanalista Sergio Braghini, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP). O adolescente vivia em um universo militarizado: ia frequentemente com seu pai ao quartel da PM.
Marcelo tinha ainda fibrose cística, uma doença crônica causada por um defeito genético, que faz com que as glândulas produzam secreções anormais que atingem o pulmão e impedem a produção de enzimas que ajudam a absorver os nutrientes dos alimentos. Essas secreções prejudicam os pulmões e podem causar infecções respiratórias graves. “Ter uma doença crônica é fator de risco para o suicídio”, diz Barros. Assim, uma hipótese levantada seria a de que o menino matou os familiares e a si mesmo para privá-los da dor de sua morte. “Mas isso é algo tão extremo e tão raro, que é preciso antes esgotar todos os cenários possíveis”, afirma Barros.


 (Revista Veja)

Eike Batista vê seu império implodir, diz ‘FT’

Eike Batista vê seu império implodir, diz ‘FT’

7 de agosto de 2013 | 8h59
Agência Estado

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Foto: Fábio Motta/ Estadão
Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado
LONDRES – O jornal britânico Financial Times dedica uma página inteira da edição desta quarta-feira para analisar a ascensão e a queda do empresário brasileiro Eike Batista. Com o título “Reverso da fortuna”, a reportagem diz que Batista “já foi o mais rico do Brasil, mas vê seu império de empresas startups de petróleo, mineração e logística implodindo”. Para o jornal, o empresário “encarna melhor que ninguém a euforia com o Brasil e outras nações emergentes durante a primeira década do século XXI”.
Com chamada na primeira página do jornal, a reportagem diz que “a empresa de petróleo carro-chefe (a OGX) está à beira da falência depois de declarar o fracasso em poços de produção que podem ser desativados”. “Isso fez com que o magnata – que encarna melhor que ninguém a euforia com o Brasil e outras nações chamadas Brics durante a primeira década do século XXI – esteja à beira da ruína. Sua fortuna, estimada no ano passado em mais de US$ 30 bilhões, foi reduzida a US$ 200 milhões”, diz o jornal.
A reportagem assinada por Joe Leahy, chefe da sucursal do FT em São Paulo, e Samantha Pearson, repórter do jornal britânico no Brasil, classifica a recente evolução dos negócios como uma “morte” para o empresário. “Sua morte também é um sinal mais amplo dos tempos mais difíceis à frente para empresários brasileiros agora que a onda das commodities está diminuindo”, diz o texto. “A era da liquidez fácil acabou e as empresas brasileiras terão de lutar contra os concorrentes de outros mercados emergentes pelo capital cada vez mais escasso”, diz a reportagem.
FT diz que a queda do empresário “que já foi garimpeiro e campeão de esportes náuticos e se casou com uma capa da Playboy é certamente um teste para o exército de parceiros e investidores estrangeiros”. “Eles vão desde a General Electric até o fundo de pensão das professoras de Ontário. E seus credores incluem a gestora de fundos Pimco e uma gama de bancos brasileiros”, diz o texto.

PM morta com a família denunciou colegas, diz comandante

Crimes

PM morta com a família denunciou colegas, diz comandante 

Coronel Wagner Dimas, do 18º Batalhão, disse "não estar convencido" de que o garoto Marcelo Pesseghini assassinou a família e depois se suicidou

Família de policiais militares é encontrada morta dentro de casa, no bairro da Brasilândia, Zona norte de São Paulo
Família de policiais militares é encontrada morta dentro de casa, no bairro da Brasilândia, Zona norte de São Paulo - Reprodução/Facebook
Comandante do batalhão onde a cabo da Polícia Militar Andréia Pesseghini trabalhava, o coronel Wagner Dimas afirmou nesta quarta-feira que ela denunciou colegas supostamente envolvidos em roubos de caixas eletrônicos. Andréia, o marido e outros dois familiares foram encontrados mortos na Zona Norte de São Paulo, na noite de segunda-feira. De acordo com as investigações, o principal suspeito pelos assassinatos é o filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos, que teria se suicidado após cometer os crimes.
“É uma sequência, quando nós temos um grupo que pode ser nocivo ao meio, buscamos alguns detalhes. (...) Ela confirmou alguns detalhes”, disse o coronel, em entrevista à Rádio Bandeirantes. Ele descreveu a participação de Andreia na denúncia como "voluntária" e afirmou que a cabo nunca relatou ter sofrido ameaças.
"Ela não fez precisamente assim, apontando 'esse, esse e esse' estão com problemas, mas, no contexto que nós estávamos denotando, ela confirmou alguns detalhes. A investigação não chegou a uma conclusão. Houve transferência, alteração de rotina com escala de serviço para alguns policiais", afirmou.
Dimas disse também “não estar convencido” da versão da Polícia Civil, que aponta o filho de Andréia como responsável pelas mortes. "Nesse primeiro momento, não estou acreditando nessa versão, principalmente por causa do relato dos familiares", disse. "Estive no local do crime, participei das investigações. Fui uma das primeiras viaturas a chegar ao local, não fiquei convencido [de que o menino matou a família]."
A versão do coronel Dimas contraria afirmações do comando da PM. Nesta terça-feira, o comandante geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, negou o envolvimento da cabo com denúncias contra colegas de trabalho. "Não existe nenhuma denúncia dessa policial contra outros PMs. (...) Isso foi descartado. Não há nenhum registro", disse.
Questionado sobre o assunto, o delegado Itagiba Franco, titular do Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, responsável pela investigação do crime, disse que desconhece essa denúncia. Para o delegado, "não há dúvidas no caso": a polícia afirma estar convencida de que o adolescente matou a família e depois se suicidou.

Crimes que assustaram o país