Alumar tenta minimizar impacto da crise do alumínio
Maior indústria de alumina e alumínio da América Latina, Consórcio Alumar, chega aos 33 anos tentando superar crise mundial em seu setor
POR AQUILES EMIR ( Jornal Pequeno)
Inaugurado em julho de 1984, o Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar), considerado um dos maiores complexos de produção de alumina e alumínio primário do mundo, completa hoje 29 anos, mas somando-se com o período de lançamento de sua pedra fundamental vão-se 33 anos. Formado pelas empresas Alcoa, RioTintoAlcan e BHP Billiton, o consórcio desempenha um importante papel para a economia do Maranhão, com seu modelo de negócios apoiada no conceito de sustentabilidade, incorporando ao seu dia a dia, critérios que asseguram o sucesso econômico, a excelência ambiental e a responsabilidade social.
A Alumar conta hoje com 90% de funcionários maranhenses e centenas de fornecedores locais, com uma produção que bate recordes a cada ano. Em 2007 a área da Redução alcançou a marca das 450.000 toneladas de alumínio produzidas e a Refinaria da fábrica produz aproximadamente 1.657.000 toneladas de alumina. Este ano, porém, o cenário não é dos melhores, devido a uma crise mundial que afeta o setor. No Brasil, uma das maiores queixas diz respeito aos altos custos da energia elétrica, principal componente na formação do preço.
Apesar da crise, a empresa continua firme com o compromisso de continuar sendo o maior empreendimento privado do estado. Nesta entrevista ao Jornal Pequeno, o diretor do Consórcio, Nilson Ferraz, analisa a situação vivida pelo setor de alumínio e diz que medidas estão sendo tomadas para superar as dificuldades.
Eis a entrevista:
Jornal Pequeno – Quais são os principais desafios para as indústrias de alumínio no momento?
Nilson Ferraz – O segmento de alumínio tem se esforçado para minimizar os impactos da crise. O cenário de mercado ainda se mostra bastante desafiador, considerando fatores como o preço de matérias primas, energia, bem como câmbio e o preço do metal, que influenciam diretamente na competitividade das operações.
Especificamente sobre a Alumar, a Alcoa, empresa líder do consórcio, acaba de renegociar o contrato de fornecimento de energia com a Eletronorte, para permitir que a empresa capture a redução da tarifa de transmissão e dos encargos promovida pela da Lei 12.783. O ajuste no contrato resultou em aproximadamente 11% de redução no custo da energia. Apesar da redução, o custo de energia deste contrato ainda é 50% acima da média mundial (US$ 40/MWh), o que ainda não garante uma presença competitiva no mercado.
Continuamos buscando melhorias nos nossos processos para neutralizar esse movimento e manter a nossa competitividade e a capacidade produtiva atual.
JP – Por que a produção de alumínio vem tendo quedas sistemáticas? Isto de alguma forma afeta os planos da Alumar, como sua expansão, por exemplo?
NF – No momento, o contexto mundial requer atenção na busca pela competitividade. Como disse, o cenário de mercado ainda se mostra bastante desafiador, considerando fatores como demanda menor, elevado nível de estoques e preços mais baixos. Continuamos buscando melhorias nos nossos processos para garantir a manutenção de nossas operações e contribuir com a competitividade das operações da empresa.
JP – Que cenário está sendo traçado pela Alumar para este e os próximos anos?
NF – Estamos há 33 anos no estado do Maranhão, na época nossa decisão, que continua se mostrando acertada, deveu-se ao fato de termos as duas principais matérias-primas da nossa indústria (bauxita e energia) e pela localização estratégica da planta, que permite o suprimento ao mercado interno e exportação para América do Norte e Europa.
O contexto atual requer atenção na busca da competitividade. O Consórcio está trabalhando em iniciativas visando garantir o processo de melhoria continua das nossas operações. Hoje, o grande desafio é continuar investindo na modernização de nossas unidades produtivas, trabalhar em novos canais de diálogos com as comunidades e aprofundar os já existentes. Enfim, continuamos, atuando para assegurar a sustentabilidade do nosso negócio, sempre respeitando nossos Valores, trabalhando numa perspectiva de competitividade consciente e reconhecendo as pessoas como o nosso fundamental patrimônio.
JP – A empresa continua sendo a maior organização privada do Maranhão?
NF – Continuamos firmes no compromisso de contribuir com o crescimento do Maranhão. Esse é o nosso principal objetivo: gerar emprego, renda, realizando operações sustentáveis, reconhecendo as pessoas em primeiro lugar.
JP – Com relação às ações sociais e ambientais, quais os destaques?
NF – Fomos eleitos pelo Instituto Internacional Chico Mendes como referência em gestão socioambiental. O prêmio veio juntar-se aos inúmeros reconhecimentos conquistados pelo Consórcio, no último ano. Algo como dez certificações entre nacionais, internacionais, corporativos e sociais. Todos voltados para melhorias em práticas sustentáveis ou que promovam a inclusão social.
Destacamos, ainda, algumas iniciativas como o IV Painel Alumar e a Comunidade, onde apresentamos o balanço dos programas, projetos e ações desenvolvidas pelo Consórcio, no período de 2008 a 2011; O Seminário de Diálogo e Engajamento para o Desenvolvimento Local Sustentável das Comunidades do Distrito Industrial de São Luis, cujo evento reuniu representantes das comunidades e empresas vizinhas à fábrica, do Conselho Regional Comunitário, lideranças de Relações Institucionais e Alumar para compartilhar o resultado da pesquisa que aponta a realidade das nossas comunidades vizinhas.
JP – Além de Brasccoper, que opera com alumínio líquido, outras empresas já estão verticalizando a produção de alumínio no Maranhão?
NF – Atualmente, temos conhecimento do caso da Brascopper. A instalação da Brascopper foi um marco na história da produção industrial do alumínio no Maranhão. Uma oportunidade que fortalece e agrega valor ao segmento. Esperamos que outras investimentos se sintam atraídos pelas perspectivas econômicas da região.
JP – Por que é tão difícil encontrar empresas interessadas em internalizar o alumínio do Maranhão?
NF – O segmento industrial maranhense está construindo um novo patamar, alavancando o desenvolvimento no Estado. Portanto, creio que outras empresas poderão ser atraídas pela política econômica e tributárias em vigor. É uma condição natural, pela característica do negócio de alumínio em atrair projetos que verticalizam as cadeias produtivas.


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